quinta-feira, 30 de julho de 2026

Feira de Santana terá um dos maiores complexos de lazer e turismo náutico do Brasil


A cidade de Feira de Santana se prepara para receber uma das maiores e mais modernas estruturas de lazer e esporte do país. O futuro parque náutico será construído às margens do rio Jacuípe e tem como objetivo principal transformar a região ribeirinha em um polo de desenvolvimento sustentável e entretenimento. Na manhã desta quinta-feira (30), o prefeito José Ronaldo de Carvalho apresentou o projeto executivo e formalizou o contrato com a Fundação Getúlio Vargas (FGV) para a elaboração do estudo de viabilidade econômico-financeira do empreendimento.

O chefe do Executivo municipal ressaltou o impacto profundo que a obra trará para a identidade e a rotina do município. José Ronaldo enfatizou que a iniciativa atende a um desejo antigo da população por mais opções de entretenimento de qualidade. Segundo o prefeito, o complexo vai elevar o patamar cultural, social e turístico da cidade, impulsionando fortemente a economia de toda a região.

O secretário de Planejamento, Carlos Brito, reforçou que o projeto é resultado de um planejamento de longo prazo, iniciado ainda em 2001. De acordo com o secretário, a proposta tem como foco o legado para as próximas gerações de feirenses. Brito destacou que o empreendimento atrai um tipo de investimento histórico, que beneficiará não apenas o município, mas a economia de todo o estado da Bahia.

A construção do parque representa uma quebra do isolamento de Feira de Santana em relação aos investimentos no setor de lazer e turismo. A estimativa é de que o projeto movimente o mercado de trabalho local, gerando aproximadamente 1.300 empregos diretos e indiretos durante as obras, além de outras 1.300 vagas na fase de funcionamento. Para esta etapa inicial de estudos e modelagem da viabilidade, o Governo Municipal está investindo R$ 2,9 milhões.

Carlos Brito também detalhou o potencial hidrográfico do rio Jacuípe, destacando que, dos seus 133 quilômetros de extensão, 45 quilômetros são totalmente navegáveis. Essa característica geográfica será o motor para o turismo e para a integração das comunidades vizinhas, gerando mais qualidade de vida. O secretário classificou o momento como o marco inicial de um complexo sem paralelos no território baiano.

O representante da FGV, Filipe Bittencourt, manifestou o entusiasmo da instituição em participar de mais um grande projeto na cidade. Ele relembrou a experiência técnica da fundação e o histórico de parcerias bem-sucedidas com o município, citando como exemplo o plano conjunto com a Caixa Econômica Federal que está viabilizando a implantação de 25 creches de grande porte em Feira de Santana.

O novo equipamento ocupará um terreno de 260 mil metros quadrados pertencente à Prefeitura, situado próximo ao condomínio Alphaville. A megaestrutura foi projetada para abrigar atividades esportivas, eventos e um setor gastronômico, além de servir como atrativo para a chegada de novos hotéis e serviços privados. A área náutica contará com marina para barcos de pequeno e médio porte, píer flutuante, atracadouro, garagem náutica e três estacionamentos ecológicos.

O setor esportivo e de convivência terá quadras de esportes de areia, tênis de praia, campo gramado, pista de corrida e decks voltados para a contemplação da natureza local. Para os eventos culturais, haverá uma arena multiuso projetada estrategicamente em um ponto isolado para não perturbar as áreas residenciais próximas. O modelo de gestão será feito por meio de uma concessão simples, que garantirá o retorno dos valores investidos ao município, assegurando o acesso gratuito da população ao parque.

A cerimônia de apresentação do projeto reuniu diversas lideranças políticas, incluindo o presidente da Câmara Municipal, Marcos Lima, além de secretários municipais, vereadores, representantes de associações comerciais, o presidente do Centro das Indústrias de Feira de Santana, Geraldo Pires, e veículos de imprensa.

Foto: ACM

 

terça-feira, 21 de julho de 2026

Joia da Princesa volta a sediar finais e reafirma protagonismo como principal estádio do interior da Bahia

 

O Estádio Municipal Alberto Oliveira, o Joia da Princesa, volta a ocupar posição de destaque no cenário esportivo baiano ao ser escolhido pela Federação Bahiana de Futebol (FBF) para sediar as decisões de duas das principais competições estaduais. A definição reforça o equipamento como a maior referência do futebol no interior da Bahia.

Nas próximas semanas, o estádio receberá quatro partidas decisivas, incluindo as finais do Campeonato Baiano Sub-20 e do Campeonato Baiano da Série B, consolidando Feira de Santana como um dos principais polos do futebol no estado.

Para o superintendente municipal de Esportes, Emerson Brito, a escolha do Joia da Princesa é resultado dos investimentos realizados pela Prefeitura de Feira de Santana na manutenção, modernização e qualificação da estrutura do estádio.

"O Joia da Princesa voltou a ser referência para o futebol baiano. Esse reconhecimento da Federação Bahiana de Futebol demonstra que o estádio reúne todas as condições para receber grandes jogos e oferecer segurança, conforto e qualidade para atletas, torcedores e equipes de arbitragem", destacou.

O calendário de decisões no estádio será o seguinte:

25 de julho (sábado), às 15h

* Fluminense de Feira x Bahia – primeiro jogo da final do Campeonato Baiano Sub-20.

26 de julho (domingo), às 15h

* SSA x Fluminense de Feira – primeiro jogo da final do Campeonato Baiano da Série B.

1º de agosto (sábado), às 15h

* Bahia x Fluminense de Feira – jogo de volta da final do Campeonato Baiano Sub-20, que definirá o campeão da competição.

2 de agosto (domingo), às 15h

* Fluminense de Feira x SSA – grande final do Campeonato Baiano da Série B.

A realização de quatro confrontos decisivos em sequência evidencia a confiança da Federação Bahiana de Futebol na infraestrutura do Joia da Princesa e no trabalho desenvolvido pela Prefeitura de Feira de Santana para manter o estádio em condições de receber eventos de grande porte.

Além de fortalecer o esporte, as partidas devem impulsionar a economia local, com maior movimentação no comércio, na rede hoteleira, nos serviços e no setor de alimentação, beneficiando diversos segmentos da cidade e reafirmando Feira de Santana como uma importante referência esportiva da Bahia.

Fotos: Jorge Magalhães

sexta-feira, 17 de julho de 2026

É A PRINCESA DO SERTÃO, MAS COM RAZÃO JÁ FOI A TERRA DAS BOIADAS


A verdadeira história é imutável e assim deve permanecer enquanto a espécie humana existir. Nada acontece por acaso, embora muitas vezes assim pareça. Feira de Santana, na sua vertente contemporânea, vai ofuscando, de modo involuntário, um passado extremamente laborioso que teve no gado bovino um grande propulsor de crescimento. "Terra das Boiadas", o respeitável título não pode ser esquecido!

Metrópole com cerca de 700 mil habitantes, mais de 400 mil eleitores, Feira de Santana continua crescendo na velocidade do carro elétrico, da Inteligência Artificial e de tantos outros inventos que mudam, com enorme velocidade, o dia a dia da humanidade. Por isso mesmo, o passado vai ficando perdido ou, no perigoso limite das gerações precedentes, já no limiar da existência. É preciso lembrar, reiterar sempre, a enorme importância do gado bovino na história da Princesa do Sertão. Não é à toa, portanto, que, de forma inteligente, o Fluminense de Feira Futebol Clube, principal representante do município no futebol profissional, quando trouxe para o torcedor feirense, pela segunda vez, o título estadual, em 1969, tenha ganho o imorredouro título de Touro do Sertão.

A moderna urbe, no entanto, a cada dia vai se distanciando da sua origem, até porque, município com uma área territorial pequena, são apenas 1.344 km² — sendo 111 km² na sede —, dispõe de poucas propriedades rurais de grande porte, sendo expressivamente constituída de minifúndios voltados para a agricultura de subsistência, hoje considerada agricultura familiar. Feira não tem áreas que possibilitem a formação de grandes rebanhos bovinos, gado de corte; por isso mesmo, os maiores criadores aqui residentes têm suas propriedades em outras regiões. O rebanho bovino local é mais de animais de alta linhagem, como se pode perceber na anual Exposição Agropecuária de Feira (EXPOFEIRA), que acontece no mês de setembro, no Parque de Exposições João Martins da Silva.

Foi por conta das grandes boiadas oriundas de outros municípios baianos e de estados de projeção na bovinocultura comercial (gado de corte), como Minas Gerais, Piauí e Goiás, que Feira de Santana tornou-se referência no comércio de gado, mas sem expressão na produção. Os rebanhos por aqui passavam para embarque no porto fluvial de Cachoeira, gerando, com isso, a formação do povoado, hoje a gigante Cidade Princesa. No início, currais construídos de maneira simples, estacas nem sempre devidamente alinhadas e fixadas na terra, com fios de arame farpado para evitar a passagem do gado recolhido, para não se espalhar, evitando o trabalho que tinham os vaqueiros de sair para reuni-los, perdendo tempo e, algumas vezes, tendo maior prejuízo com o desaparecimento de animais extraviados no mato.

Depois dos "arranjados" currais que teriam sido instalados na parte sul da cidade, conhecida como Pedra do Descanso, com a evolução da feira livre e do comércio de animais vivos, não só bovinos, como equinos, muares, ovinos, caprinos, suínos e aves, tornou-se indispensável a organização desse tipo de comércio na vila, que tinha cerca de 4 mil habitantes, e isso aconteceu com o Campo do Gado, instalado na Praça da Gameleira, atual Praça Dom Pedro II, assim nominada após a visita feita pelo Imperador e sua comitiva em 1859. Esse local de comércio específico, mas ainda rudimentar, funcionou até 1941, quando ocorreu a inauguração dos Currais-Modelo, pelo prefeito Heráclito Dias de Carvalho, no seu segundo governo (1938/1943). Com madeiras aparelhadas, obedecendo às linhas de um projeto bem delineado, o novo "Campo do Gado", além de reunir enormes rebanhos, proporcionando negócios vultosos na época, tornou-se atração para pessoas de várias partes do país, uma espécie de ponto turístico, que também trouxe a esta cidade valiosos órgãos de imprensa do Sudeste do país, como O Cruzeiro, então a mais importante revista da América Latina.

Os Currais-Modelo ocupavam ampla área física, onde hoje estão localizados: o Fórum Desembargador Filinto Bastos, o Colégio Municipal, o Ginásio de Esportes do Município e o Museu de Arte Contemporânea Raimundo Oliveira. Foi a grande fase do comércio de gado, já no final da era dos "coronéis". Em 1960, a expansão urbana da Terra de Senhora Santana deu um "pontapé" irreversível no comércio do boi em pé, que foi transladado para fora do centro da cidade, na então distante Avenida Maria Quitéria. O prefeito Arnold Ferreira da Silva (1959/1962) cuidou de manter os negócios da pecuária em instalações de qualidade.

Mais uma vez, o veloz processo de urbanização de Feira de Santana chegava àquela gleba, já pontilhada por muitas residências, fazendo com que o prefeito José Falcão da Silva, cumprindo o segundo mandato (1983/1988), construísse o Complexo Matadouro Campo do Gado, no bairro Pampalona, que teve o crescimento acelerado pela instalação do estabelecimento. Natural que as mudanças ocorridas ao longo dos anos façam com que os mais jovens não entendam bem o cognome "Terra das Boiadas", mas a razão está profundamente enraizada. É a história, imutável!

Por Zadir Marques Porto

Foto: Divulgação - Arquivo ZMP

 

quinta-feira, 16 de julho de 2026

Força-tarefa reforça combate ao Aedes aegypti na Queimadinha com mais de 30 agentes

 

A Secretaria Municipal de Saúde (SMS), por meio do Centro de Combate às Endemias, iniciou nesta quarta-feira (15) uma força-tarefa no bairro Queimadinha para intensificar o enfrentamento ao Aedes aegypti, mosquito transmissor da dengue, zika e chikungunya.

Mais de 30 agentes de combate às endemias, parte deles remanejada de outras áreas do município, atuam em duas frentes de trabalho que permanecerão no bairro pelos próximos 20 dias. A meta é visitar todos os imóveis, identificar e eliminar criadouros do mosquito e ampliar as ações de prevenção junto aos moradores.

A Queimadinha e o Tomba, onde as equipes concentraram as ações de bloqueio vetorial e visitas domiciliares no último mês, estão entre as localidades que registram maior número de notificações de arboviroses no município.

De acordo com a coordenadora do Centro de Combate às Endemias, Priscila Soares, embora Feira de Santana mantenha monitoramento permanente de todas as arboviroses, o cenário epidemiológico deste ano chama atenção pelo aumento expressivo das notificações de chikungunya.

Até o momento, Feira de Santana contabiliza 313 notificações de chikungunya, das quais 201 já foram confirmadas. No mesmo período de 2025, haviam sido registradas apenas 24 notificações e 15 confirmações. Ao longo de todo o ano passado, o município encerrou com 35 casos notificados e 23 confirmados.

Em relação à dengue, entre janeiro e 7 de julho deste ano, Feira notificou 1.373 casos suspeitos. Destes, 96 foram confirmados por exame laboratorial, 107 tiveram resultado inconclusivo e os demais permanecem em investigação. No mesmo período de 2025, haviam sido notificados 1.371 casos, com 143 confirmações. Ao longo de todo o ano passado foram registrados 2.398 casos notificados e 204 confirmados. 

“A concentração das equipes permite ampliar a cobertura das visitas domiciliares e interromper a cadeia de transmissão do mosquito nas áreas com maior número de notificações. Essa força-tarefa tem como objetivo proteger a população, especialmente neste período de maior ocorrência de chuvas”, destaca Priscila Soares.

O trabalho realizado pelas equipes vai muito além da inspeção dos imóveis. Durante as visitas, os profissionais orientam os moradores sobre medidas preventivas, identificam e eliminam possíveis criadouros, aplicam o larvicida quando necessário e utilizam bomba costal motorizada para o bloqueio químico em situações indicadas.

“O primeiro trabalho é educativo. Os agentes orientam os moradores, verificam cada possível criadouro e, quando necessário, aplicam o larvicida. Também reforçam que qualquer recipiente pode acumular água e servir para a reprodução do mosquito, desde uma tampa de garrafa até o bocal de uma caneta”, explica.

ATENÇÃO REDOBRADA

O agente de endemias Nelson Rodrigues alerta que o ciclo de desenvolvimento do Aedes aegypti é bastante rápido. Em condições favoráveis, o mosquito leva de sete a dez dias entre a postura dos ovos e a fase adulta. Além disso, os ovos podem permanecer viáveis por mais de um ano e eclodir assim que entram em contato com a água.

Com a ocorrência de chuvas, a atenção da população deve ser redobrada. “Mesmo precipitações de menor intensidade favorecem o acúmulo de água em recipientes espalhados pelos quintais. Em seguida, com a elevação da temperatura, o ambiente torna-se ainda mais propício para a proliferação do mosquito”, ressalta.

O profissional da Saúde reforça que a participação da população é indispensável para conter o avanço das arboviroses. A orientação é eliminar qualquer recipiente que possa acumular água, manter caixas d’água devidamente vedadas, limpar calhas, descartar corretamente pneus e outros materiais inservíveis e permitir o acesso dos agentes durante as visitas domiciliares.

Fonte: SECOM

 

terça-feira, 14 de julho de 2026

PAU-DE-ARARA: ATÉ O PRESIDENTE DA REPÚBLICA VIAJOU NELE E PASSOU POR FEIRA DE SANTANA

 

Quarenta a 50 pessoas, ajeitadas em duros bancos de madeira na carroceria de um caminhão, rodando em estradas esburacadas, quase intransitáveis, durante horas e até dias. Era assim no Nordeste, e esse então “valioso” meio de transporte era o pau-de-arara. Em um desses veículos, o Presidente da República, na época um jovem que ia trabalhar em São Paulo, passou por Feira de Santana.

Pau-de-arara é um verbete, ou uma expressão, por demais conhecida na região Nordeste e, provavelmente, em outras, embora nesta parte do País seu significado maior esteja relacionado a um meio de transporte rodoviário que sucedeu ao carro de boi, com extrema vantagem e enorme importância para a população, em especial a rural, que predominou, durante muito tempo, sobre a urbana. A expressão “pau-de-arara” também é conhecida na linguagem policial, mas com uma conotação absolutamente diferente.

Nas décadas iniciais do século passado, quando ainda eram poucas e precaríssimas as estradas de rodagem do País e, igualmente, a frota de veículos automotivos, os chamados “paus-de-arara” tiveram papel fundamental no transporte de passageiros, especialmente daqueles que viajavam com bagagem ou mercadorias. Sair do interior de um pequeno município nordestino para ir a uma cidade fazer compras, ver alguém ou resolver alguma questão era muito difícil. Não havia linhas de ônibus, e os automóveis eram um privilégio de poucos, naturalmente pessoas de alto poder aquisitivo.

Feira de Santana, exemplo de progresso e expansão urbana, entre as décadas de 1930 e 1970 viveu intensamente o transporte em pau-de-arara, em especial nos dias de segunda-feira, por conta da realização da feira livre, quando era intensa a movimentação nas estradas que ligavam diversas cidades da região e outras mais distantes à Princesa do Sertão. Nesse contexto, vale lembrar a importância da Ponte Rio Branco, sobre o Rio Jacuípe, inaugurada em 18 de março de 1917 e fundamental na interligação com dezenas de municípios, incluindo os da Chapada Diamantina, o que só foi modificado com a construção da Estrada do Feijão.

Nesse período, que precedeu o surgimento das linhas de ônibus intermunicipais, os paus-de-arara tinham pontos de estacionamento, o que facilitava a vida de quem queria viajar. Para Baixa Grande, Ipirá, Mundo Novo, Itaberaba e cidades da Chapada Diamantina, o ponto era a Praça Froes da Mota, que chegava a registrar cerca de uma dezena de veículos. Ali, na década de 1960, ocorreu um estranho e raro acidente de grande repercussão. Um pau-de-arara já estava pronto para sair com destino a Ipirá, quando o botijão de gás de uma senhora que vendia acarajé explodiu. A “rodela”, peça metálica do botijão, foi arremessada pela explosão e atingiu a cabeça de um cidadão que estava sentado em um dos bancos do caminhão. Apesar da distância, foi fatal. O passageiro teve morte imediata.

O cordelista Jurivaldo Alves lembra que viajou dezenas de vezes de Baixa Grande para outras regiões e foi assim que, posteriormente, terminou se fixando na Cidade Princesa. “Em 1962 viajei de Baixa Grande para Candeias em um caminhão Chevrolet 1962, pau-de-arara, de Bianor Pomponet, que depois chegou a ter 42 Mercedes-Benz. Foi quando passei pela primeira vez em Feira de Santana e me apaixonei. Falei: tenho que morar aqui, e aqui estou”. O poeta repentista Francisco Pedrosa Galvão, o “Chico Pedrosa”, cuja obra é conhecida nacionalmente, ressalta que o pau-de-arara foi um fenômeno brasileiro de maior eclosão no Norte/Nordeste. Lembra que, em 1954, aos 18 anos de idade, viajou de sua terra, Guarabira, na Paraíba, para Ituiutaba, Minas Gerais, onde iria trabalhar.

“Foram mais de 12 dias de viagem, com gente passando fome, dormindo dentro do mato, criança morrendo. São cerca de 4 mil quilômetros de distância. Imagine isso nos bancos de madeira de uma carroceria de caminhão apinhado de gente. Adultos, crianças, idosos, sacos de mercadorias, água, comida, enfim, uma balbúrdia, mas era assim”. Pedrosa destaca ainda que os paus-de-arara lotados carregavam de 40 a 50 pessoas. “Não havia conforto porque os bancos de madeira eram duros e as estradas de terra, cheias de buracos. No tempo de chuva ficavam intransitáveis; no verão era só poeira”.

Um detalhe lembrado por Jurivaldo é que até o Presidente da República viajou em pau-de-arara. “O presidente Lula disse publicamente que, quando deixou Pernambuco ainda jovem para trabalhar em São Paulo, passou por Feira de Santana em um pau-de-arara”. Esse modal de transporte rodoviário tornou-se obsoleto e foi proibido oficialmente pelo Governo, por questões de segurança e também pela modernização do transporte de passageiros, mas, em Feira de Santana e em tantas outras regiões, teve enorme importância e contribuição decisiva no processo de crescimento. Em alguns municípios distantes, ainda se vê, ocasionalmente, na zona rural, em estradas vicinais, caminhonetes transportando pessoas, especialmente em romarias, mas os caminhões pau-de-arara há muito deixaram de existir.

Por Zadir Marques Porto


Fotos: Divulgação ZMP

 

segunda-feira, 29 de junho de 2026

Raça Negra embala multidão e encerra último dia do São Pedro de Humildes com praça lotada

 

O último dia do Arraiá de Feira, neste domingo (28), começou com a praça de Humildes completamente lotada. Nem a chuva afastou o público, que compareceu em peso para acompanhar o encerramento dos festejos juninos promovidos pela Prefeitura de Feira de Santana. A programação reuniu Xamego da Thay, Raça Negra, João Almeida e Buscapé – Arreio de Ouro, garantindo uma noite de muito forró, romantismo e animação.

Abrindo a programação musical, a cantora Xamego da Thay mostrou por que já é presença marcante no São Pedro de Humildes. Em sua terceira participação consecutiva na festa, a artista levou ao palco um repertório que mesclou clássicos do forró nordestino com sucessos atuais, fazendo o público cantar e dançar desde os primeiros acordes.

"É uma satisfação imensa estar mais uma vez em Humildes. Esse já é o meu terceiro ano participando da festa e, desta vez, tenho a alegria de abrir o último dia do São Pedro. Estou muito feliz e na expectativa de fazer um grande show para esse público tão especial. Vamos trazer o autêntico forró de raiz e fazer todo mundo se aquecer, mesmo com a chuva. O repertório não pode deixar de fora grandes nomes como Luiz Gonzaga, Mastruz com Leite, Flávio José e Magníficos. A proposta é unir o tradicional ao mais novo, promovendo um encontro de gerações e agradando tanto quem ama o forró clássico quanto o público mais jovem. É um prazer falar com a TV Feira e desejo que Deus abençoe mais um ano dessa festa tão bonita", afirmou.

Na sequência, a expectativa do público foi confirmada com a entrada da principal atração da noite. O Raça Negra transformou a praça em um verdadeiro coral, embalando milhares de pessoas com sucessos que atravessam gerações. Casais cantaram abraçados, amigos dividiram o mesmo refrão e até quem estava sozinho se emocionou ao som dos grandes clássicos do grupo, fazendo do show um dos momentos mais marcantes do encerramento da festa.

Entre os fãs estava a empreendedora Lívia Mascarenhas, que contou estar vivendo um momento de recomeço após o fim de um relacionamento. Mesmo assim, escolheu o São Pedro de Humildes para celebrar a vida e aproveitar a apresentação.

"Raça Negra me anima e me derruba na mesma medida. Estou passando por um término, mas resolvi vir curtir a minha solitude, cantar, me divertir e aproveitar essa festa maravilhosa", contou.

Após o romantismo, João Almeida assumiu o palco mantendo o público no mesmo ritmo de animação. Com um repertório recheado de forró e músicas que fazem parte dos festejos juninos, o cantor colocou a multidão para dançar e mostrou a força da tradição nordestina. A apresentação manteve a energia da festa em alta e preparou o público para o grande encerramento da noite.

Fechando a programação, Buscapé – Arreio de Ouro levou muito forró e irreverência ao palco, garantindo que ninguém ficasse parado até os últimos minutos da festa. Com um repertório dançante e cheio de sucessos, a banda encerrou em grande estilo o São Pedro de Humildes, coroando mais uma edição de sucesso do Arraiá de Feira. Ao longo dos três dias de programação, milhares de pessoas passaram pelo distrito, reafirmando a força da cultura nordestina e a tradição dos festejos juninos promovidos pela Prefeitura de Feira de Santana.

Fotos: Washington Nery

 

quarta-feira, 17 de junho de 2026

PM prende suspeitos e apreende armas após homicídio em Feira de Santana

 

Na tarde de terça-feira (16), militares da 65ª CIPM prenderam três suspeitos e apreenderam três armas de fogo e dois veículos no bairro Campo Limpo, em Feira de Santana.

As equipes realizavam patrulhamento na região quando foram informadas por populares de que indivíduos suspeitos de participação em um homicídio ocorrido na tarde da última segunda-feira (15), no bairro Queimadinha, estariam circulando pela localidade em um veículo. Na ocasião, a vítima foi morta por disparos de arma de fogo no interior de uma oficina mecânica.

Diante das informações, os policiais iniciaram diligências e localizaram um veículo com indícios de adulteração. Durante a abordagem, foram identificados três indivíduos com características compatíveis às informadas. Com eles, foram encontradas três armas de fogo. Dois automóveis também foram apreendidos.

Os suspeitos e todo o material apreendido foram apresentados à Central de Flagrantes, onde a ocorrência foi registrada e as medidas legais cabíveis foram adotadas.

Fonte: Polícia Militar