Metrópole com cerca de 700 mil
habitantes, mais de 400 mil eleitores, Feira de Santana continua crescendo na
velocidade do carro elétrico, da Inteligência Artificial e de tantos outros
inventos que mudam, com enorme velocidade, o dia a dia da humanidade. Por isso
mesmo, o passado vai ficando perdido ou, no perigoso limite das gerações
precedentes, já no limiar da existência. É preciso lembrar, reiterar sempre, a
enorme importância do gado bovino na história da Princesa do Sertão. Não é à
toa, portanto, que, de forma inteligente, o Fluminense de Feira Futebol Clube,
principal representante do município no futebol profissional, quando trouxe
para o torcedor feirense, pela segunda vez, o título estadual, em 1969, tenha
ganho o imorredouro título de Touro do Sertão.
A moderna urbe, no entanto, a
cada dia vai se distanciando da sua origem, até porque, município com uma área
territorial pequena, são apenas 1.344 km² — sendo 111 km² na sede —, dispõe de
poucas propriedades rurais de grande porte, sendo expressivamente constituída
de minifúndios voltados para a agricultura de subsistência, hoje considerada
agricultura familiar. Feira não tem áreas que possibilitem a formação de
grandes rebanhos bovinos, gado de corte; por isso mesmo, os maiores criadores
aqui residentes têm suas propriedades em outras regiões. O rebanho bovino local
é mais de animais de alta linhagem, como se pode perceber na anual Exposição
Agropecuária de Feira (EXPOFEIRA), que acontece no mês de setembro, no Parque
de Exposições João Martins da Silva.
Foi por conta das grandes
boiadas oriundas de outros municípios baianos e de estados de projeção na
bovinocultura comercial (gado de corte), como Minas Gerais, Piauí e Goiás, que
Feira de Santana tornou-se referência no comércio de gado, mas sem expressão na
produção. Os rebanhos por aqui passavam para embarque no porto fluvial de
Cachoeira, gerando, com isso, a formação do povoado, hoje a gigante Cidade
Princesa. No início, currais construídos de maneira simples, estacas nem sempre
devidamente alinhadas e fixadas na terra, com fios de arame farpado para evitar
a passagem do gado recolhido, para não se espalhar, evitando o trabalho que
tinham os vaqueiros de sair para reuni-los, perdendo tempo e, algumas vezes,
tendo maior prejuízo com o desaparecimento de animais extraviados no mato.
Os Currais-Modelo ocupavam ampla
área física, onde hoje estão localizados: o Fórum Desembargador Filinto Bastos,
o Colégio Municipal, o Ginásio de Esportes do Município e o Museu de Arte
Contemporânea Raimundo Oliveira. Foi a grande fase do comércio de gado, já no
final da era dos "coronéis". Em 1960, a expansão urbana da Terra de
Senhora Santana deu um "pontapé" irreversível no comércio do boi em
pé, que foi transladado para fora do centro da cidade, na então distante
Avenida Maria Quitéria. O prefeito Arnold Ferreira da Silva (1959/1962) cuidou
de manter os negócios da pecuária em instalações de qualidade.
Mais uma vez, o veloz processo
de urbanização de Feira de Santana chegava àquela gleba, já pontilhada por
muitas residências, fazendo com que o prefeito José Falcão da Silva, cumprindo
o segundo mandato (1983/1988), construísse o Complexo Matadouro Campo do Gado,
no bairro Pampalona, que teve o crescimento acelerado pela instalação do
estabelecimento. Natural que as mudanças ocorridas ao longo dos anos façam com
que os mais jovens não entendam bem o cognome "Terra das Boiadas",
mas a razão está profundamente enraizada. É a história, imutável!
Por Zadir Marques Porto
Foto: Divulgação - Arquivo ZMP




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